Entenda os fatores genéticos, hormonais e biológicos que podem influenciar a resposta às medicações mais populares para perda de peso
Nos últimos anos, remédios como Wegovy e Zepbound ganharam destaque como soluções “milagrosas” para emagrecimento. Milhões de pessoas registraram perdas significativas de peso, mas nem todos obtêm os resultados esperados. Estudos indicam que cerca de 10% dos pacientes “não respondem”, ou seja, não perdem peso suficiente mesmo após meses de tratamento.
Como os medicamentos atuam e por que nem todos respondem
Os medicamentos mais usados atualmente, como semaglutida e tirzepatida, pertencem à classe dos agonistas de GLP-1. Eles atuam principalmente no cérebro, reduzindo o apetite e a “ansiedade alimentar”. Entretanto, especialistas alertam que esses medicamentos atingem apenas dois hormônios que regulam a fome e o açúcar no sangue, deixando de fora todo um conjunto complexo de sinais biológicos que influenciam o peso corporal.
Em entrevista à Ny Times, a Dra. Amy Sheer, especialista em obesidade da University of Florida Health, afirma que pessoas cuja obesidade não está relacionada ao consumo excessivo de alimentos podem apresentar respostas limitadas a esses medicamentos. Megan Capozzi, professora assistente de pesquisa na University of Washington, acrescenta que diferenças individuais no prazer associado à comida também podem impactar os resultados.
Outros fatores biológicos desempenham papel relevante:
- Genética: pode influenciar metabolismo, saciedade e como o corpo queima energia. Marie Spreckley, pesquisadora da University of Cambridge, destaca que essas variações genéticas ajudam a explicar por que alguns pacientes respondem bem e outros não.
- Hormônios sexuais: o estrogênio interage com as vias de GLP-1, possivelmente aumentando a eficácia da medicação em mulheres, especialmente na pós-menopausa. Já homens parecem mais propensos a serem não respondedores, segundo a Dra. Diana Thiara, da University of California, San Francisco.
- Doenças crônicas e inflamação: condições como diabetes tipo 2 ou processos inflamatórios podem dificultar a perda de peso, como explica a Dra. Zoobia Chaudhry, Johns Hopkins Medicine.
- Tempo de obesidade: quanto mais tempo alguém vive com excesso de peso, menor a chance de resposta aos GLP-1.
Estratégias para identificar se você responde ao medicamento
Descobrir que um medicamento não funciona pode gerar frustração e gasto elevado. Por isso, médicos normalmente aguardam de 4 a 6 meses antes de sugerir alternativas, como mudança de droga ou cirurgia bariátrica, segundo a Dra. Sheer.
Pesquisas recentes investigam como prever a resposta de cada paciente. Um estudo analisou genes relacionados ao apetite, saciedade e metabolismo, identificando perfis genéticos que indicam maior probabilidade de não resposta aos GLP-1. Em alguns casos, pacientes não respondentes perderam peso significativo ao usar outros medicamentos, como a combinação de fentermina e topiramato, que age em vias diferentes no cérebro, segundo o Dr. Andres Acosta, do Mayo Clinic.
O futuro das terapias para obesidade
Novas medicações que atuam em múltiplos hormônios estão em desenvolvimento, ampliando as opções para pacientes que não respondem aos medicamentos atuais. Como ressalta a Dra. Beverly Tchang, do Weill Cornell Medicine, “não ter o medicamento certo hoje não significa que não teremos em seis meses, um ano ou dois anos”.
O panorama atual reforça que o emagrecimento saudável é multidimensional: envolve genética, hormônios, comportamento, inflamação e escolhas de estilo de vida. Medicamentos podem ser ferramentas poderosas, mas não substituem acompanhamento individualizado, alimentação equilibrada e exercícios regulares.
O que fazer quando o resultado não vem
Entender por que algumas pessoas não respondem aos medicamentos para emagrecimento ajuda a reduzir a frustração e otimizar estratégias de perda de peso. Cada corpo é único, e abordagens personalizadas, combinando ciência, hábitos e acompanhamento profissional, são essenciais para resultados sustentáveis.
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Perguntas frequentes
- Quem pode se beneficiar mais dos medicamentos para emagrecer?
Pacientes com obesidade relacionada ao aumento do apetite, dificuldade de saciedade e quadros metabólicos específicos tendem a responder melhor aos tratamentos. A avaliação médica detalhada permite identificar os candidatos ideais para cada classe de medicamentos. - Existem exames que ajudam a prever a resposta ao tratamento?
Novas pesquisas indicam que testes genéticos e hormonais avançados já conseguem prever, em parte, a chance de resposta aos medicamentos antiobesidade. Embora ainda não amplamente disponíveis, essas ferramentas devem se tornar mais comuns na prática clínica em breve. - O que fazer se não houver perda de peso com a medicação?
Em casos de não resposta após alguns meses de uso correto, recomenda-se discutir alternativas farmacológicas ou a possibilidade de estratégias como cirurgia bariátrica, sempre com acompanhamento multiprofissional.







