Entenda por que tantas pessoas desistem no meio do processo e o que realmente sustenta um estilo de vida saudável a longo prazo
A obesidade é uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Isso significa que não existe solução rápida ou fórmula mágica — existe controle, acompanhamento e constância. Ainda assim, quando falamos em emagrecimento e mudança de hábitos, a realidade é clara: muitas pessoas começam motivadas, mas abandonam o processo poucos meses depois.
Estudos mostram que cerca de 50% dos indivíduos que iniciam um programa de treinamento físico desistem entre três e seis meses. Quando observamos intervenções voltadas para perda de peso e tratamento da obesidade, os índices de evasão também são altos. Isso não acontece por falta de informação. Vivemos na era do excesso de conteúdo sobre dieta, exercício e saúde metabólica. O problema, na maioria das vezes, está na dificuldade de sustentar o comportamento ao longo do tempo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a obesidade já é considerada uma pandemia global. Milhões de adultos, adolescentes e crianças convivem com excesso de peso, e as projeções continuam crescendo. No Brasil, os dados seguem a mesma tendência. A obesidade está associada a inflamação crônica, alterações hormonais, resistência à insulina, doenças cardiovasculares e redução da expectativa de vida.
Dizer “estou acima do peso, mas sou saudável” pode ser um risco silencioso. Muitas complicações se desenvolvem de forma progressiva e assintomática. Por isso, esperar adoecer para mudar o estilo de vida não deveria ser a estratégia.
Mas afinal, por que tantas pessoas desistem?
1. Expectativas irreais sobre o emagrecimento
É comum iniciar o processo com metas agressivas: treinar todos os dias, cortar diversos alimentos de uma vez, mudar completamente a rotina. A empolgação inicial é alta, mas não é sustentável. O corpo responde rapidamente nas primeiras semanas, principalmente em dietas muito restritivas, mas depois a perda de peso desacelera — e isso gera frustração.
Quando a expectativa é imediatista, qualquer oscilação na balança parece fracasso. E a frustração é um dos maiores gatilhos para o abandono.
2. Foco no macro e negligência do micro
Muitas pessoas tentam mudar tudo ao mesmo tempo, mas ignoram pequenos comportamentos que sabotam o processo.
O “macro” é o planejamento perfeito no papel.
O “micro” são os hábitos diários repetidos sem consciência.
Alguns exemplos de microcomportamentos que influenciam mais do que se imagina:
- Comer no piloto automático.
- Beliscar sem perceber.
- Dormir mal com frequência.
- Pular refeições e exagerar depois.
- Usar a alimentação como resposta emocional.
Quando não trazemos esses padrões para a consciência, o ciclo de culpa e compensação se instala. A pessoa sai da rotina por um dia e conclui que “já perdeu tudo”, abandonando completamente o processo.
3. Falta de entendimento sobre o próprio comportamento
Existe um conceito importante na mudança de estilo de vida: a complacência. Ele acontece quando o paciente apenas executa o que foi prescrito, mas não entende o porquê. Repete a dieta, replica o treino, mas não desenvolve autonomia.
Sem compreensão, não há consistência. E sem consistência, não há resultado sustentável.
Mudança de hábitos exige reflexão:
- Quanto tempo levou para chegar ao peso atual?
- Quais fatores emocionais ou comportamentais estão envolvidos?
- Quais situações são gatilhos?
- O que é realmente viável manter na rotina atual?
Responder a essas perguntas aumenta a adesão ao tratamento e reduz a chance de desistência.
4. Motivação instável
A motivação não é fixa. Ela oscila. O que te impulsiona hoje pode não ser suficiente amanhã. Por isso, depender apenas de “estar motivado” é arriscado.
A motivação extrínseca — estética, aprovação externa, comparação — costuma perder força com o tempo. Já a motivação intrínseca, ligada à saúde, disposição, autonomia e qualidade de vida, tende a sustentar melhor a mudança.
Emagrecimento saudável não é sobre perfeição. É sobre constância possível.
É entender que recaídas acontecem. Que semanas desorganizadas fazem parte. Que o sábado e o domingo também contam — porque seu metabolismo não pausa no fim de semana. E que ajustar a rota é diferente de desistir.
Então, como aumentar as chances de manter a mudança?
Algumas estratégias práticas ajudam:
- Estabeleça metas realistas e progressivas.
- Foque em constância, não em intensidade extrema.
- Trabalhe um hábito por vez.
- Busque acompanhamento profissional.
- Crie um ambiente que favoreça boas escolhas.
- Pare de transformar um deslize em abandono total.
A dificuldade excessiva é um convite à desmotivação. Facilitar o processo é uma estratégia inteligente.
A obesidade não é resultado de um único fator, e o emagrecimento sustentável também não depende de uma única ação. Ele exige estrutura, clareza e acompanhamento adequado.
Se você sente que começa motivado e desiste no meio do caminho, talvez o problema não seja falta de força de vontade — mas falta de estratégia.
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Perguntas frequentes
Por que mudar hábitos é mais difícil do que começar uma dieta?
Hábitos envolvem rotina, ambiente e fatores emocionais. Já dietas rápidas focam em resultado imediato, mas não fortalecem comportamentos a longo prazo, tornando o recomeço frequente.
Como lidar com recaídas sem se sentir culpada?
Recaídas são normais. O importante é enxergá-las como oportunidades de aprendizado, ajustar o plano e retomar o processo com acolhimento, sem autocrítica excessiva.
Quais profissionais podem ajudar?
Nutricionistas, educadores físicos e psicólogos especializados em comportamento alimentar são aliados importantes para criar um plano individualizado e sustentável.
Demora quanto tempo para um hábito se firmar?
Não existe um prazo fixo — o tempo varia de pessoa para pessoa. Estudos indicam que cerca de 60 dias de repetição consciente já ajudam na incorporação de novos hábitos, mas o mais importante é a constância.







