Nova diretriz alimentar nos EUA: o que muda, quais os riscos e o que isso revela sobre saúde pública

EUA mudam guia alimentar e reforçam: comida de verdade é essencial para saúde e bem-estar

Paola pela Saúde

09/01/2026

EUA mudam guia alimentar e reforçam: comida de verdade é essencial para saúde e bem-estar

As diretrizes alimentares dos Estados Unidos passaram por uma das maiores mudanças das últimas décadas. O governo norte-americano divulgou uma nova pirâmide alimentar — agora invertida — que substitui o modelo MyPlate, utilizado desde 2011. A proposta, liderada pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., durante o governo Donald Trump, faz parte do programa Make America Healthy Again (MAHA) e promete reposicionar o debate sobre alimentação, saúde e políticas públicas.

Mas o que exatamente muda com essa nova pirâmide? Ela é realmente mais saudável? E quais são os riscos apontados por especialistas? Neste artigo, o Quilores explica os principais pontos da nova diretriz, contextualiza o debate científico e compara o modelo norte-americano com o Guia Alimentar para a População Brasileira.

 

O que é a nova diretriz alimentar dos EUA

O principal destaque das novas diretrizes é o retorno do formato de pirâmide alimentar, agora apresentada de forma invertida — com a ponta voltada para baixo. Visualmente, o topo da pirâmide (a parte mais larga) passa a representar os alimentos que devem ter maior presença na alimentação cotidiana.

Na nova versão, os grupos alimentares foram reduzidos e reorganizados em três grandes categorias:

  • Proteínas, laticínios e gorduras saudáveis
  • Vegetais e frutas
  • Grãos integrais

Os doces e alimentos ultraprocessados foram removidos do infográfico principal, reforçando o discurso de priorização da chamada “comida de verdade”.

Ao contrário da pirâmide tradicional de 1992 — que colocava os grãos como base da alimentação —, a nova diretriz posiciona proteínas e gorduras saudáveis no topo, enquanto os grãos integrais passam a ocupar a menor porção visual do gráfico.

Nova pirâmide alimentar dos EUA

 

Fim do MyPlate: por que o modelo mudou

Desde 2011, os Estados Unidos adotavam o MyPlate, um gráfico circular que simulava um prato dividido em porções de grupos alimentares. A ideia era facilitar o entendimento da população sobre equilíbrio alimentar.

A nova pirâmide marca uma ruptura simbólica e política com esse modelo. Segundo o governo, o MyPlate não conseguiu conter o avanço da obesidade, do diabetes tipo 2 e de outras doenças crônicas nos Estados Unidos.

Para Robert F. Kennedy Jr., diretrizes anteriores teriam desencorajado, de forma equivocada, o consumo de proteínas e gorduras saudáveis:

“Proteínas e gorduras saudáveis são essenciais e foram erroneamente desencorajadas em diretrizes alimentares anteriores.”

 

O que a nova diretriz incentiva

De forma geral, a nova pirâmide alimentar dos EUA defende:

  • Maior consumo de proteínas, incluindo carnes, ovos, queijos e laticínios integrais
  • Prioridade para alimentos naturais ou minimamente processados
  • Redução do consumo de açúcares adicionados e ultraprocessados
  • Menor ingestão de carboidratos complexos, especialmente grãos

As recomendações sobre gorduras também foram ajustadas. A meta de limitar a ingestão de gordura saturada a até 10% das calorias diárias foi mantida, mas o próprio documento reconhece que ainda são necessárias mais pesquisas para embasar essa orientação.

Além disso, as novas diretrizes retiram recomendações específicas sobre consumo diário de álcool, passando a sugerir apenas que se beba menos.

 

Impacto direto em escolas e programas sociais

As diretrizes alimentares federais dos Estados Unidos não são apenas orientações gerais: elas influenciam diretamente políticas públicas. Estima-se que quase 30 milhões de crianças sejam impactadas por essas recomendações por meio de:

  • Merendas escolares
  • Programas de assistência alimentar
  • Vale-refeição e subsídios federais

Com a nova pirâmide, alimentos elegíveis para financiamento público podem mudar, afetando cardápios escolares e contratos de fornecimento em todo o país.

 

O que dizem os especialistas: benefícios e riscos

Apesar do discurso oficial, a nova pirâmide alimentar está longe de ser consenso entre especialistas em nutrição.

Aumento do consumo de proteínas animais

Para David Seres, diretor de nutrição médica da Universidade de Columbia, o incentivo ao consumo elevado de proteínas — especialmente de origem animal — pode trazer efeitos colaterais importantes:

  • Aumento da ingestão calórica
  • Maior risco de obesidade
  • Sobrecarga renal em pessoas predispostas
  • Redução do consumo de fibras

A diminuição dos grãos integrais, segundo ele, pode comprometer a ingestão de nutrientes essenciais e a saúde intestinal.

Gorduras saturadas em destaque

Christopher Gardner, especialista em nutrição da Universidade Stanford, foi ainda mais crítico:

“Estou muito decepcionado com a nova pirâmide alimentar que coloca a carne vermelha e as fontes de gordura saturada no topo, como se isso fosse algo prioritário. Isso contradiz décadas e décadas de evidências e pesquisas.”

Bethany Doerfler, nutricionista da Northwestern Medicine, reconhece que alguns laticínios são menos prejudiciais do que se pensava, mas alerta para o impacto calórico:

  • Laticínios integrais podem adicionar 200 calorias ou mais por dia
  • Esse excesso aumenta o risco de ganho de peso e obesidade

 

Comparação com o Guia Alimentar para a População Brasileira

Apesar das controvérsias, a nova diretriz norte-americana se aproxima do Guia Alimentar para a População Brasileira em alguns pontos fundamentais.

O guia brasileiro, publicado originalmente em 2006 e atualizado ao longo dos anos, prioriza:

  • Alimentos in natura e minimamente processados
  • Preparações caseiras
  • Uso moderado de ingredientes culinários
  • Evitar alimentos ultraprocessados

A principal diferença está no enfoque:

  • Brasil: base da alimentação em alimentos de origem vegetal, como arroz, feijão, legumes, verduras e frutas
  • Estados Unidos: centralidade das proteínas, incluindo carnes e laticínios

Enquanto o guia brasileiro adota uma visão mais cultural, social e ambiental da alimentação, a nova pirâmide dos EUA enfatiza escolhas individuais e macronutrientes.

 

Alimentação, política e saúde pública

A nova pirâmide alimentar invertida não é apenas uma atualização técnica. Ela reflete uma visão política sobre saúde, ciência e responsabilidade individual.

Ao mesmo tempo em que valoriza alimentos menos processados — um ponto positivo —, o modelo levanta preocupações ao minimizar o papel dos carboidratos complexos e ao reforçar o consumo de proteínas e gorduras saturadas.

Em um país com altos índices de obesidade e doenças crônicas, mudanças nas diretrizes alimentares precisam ser analisadas com cautela, base científica sólida e foco em saúde pública — não apenas em tendências ou discursos ideológicos.

 

Conclusão

A nova diretriz alimentar dos Estados Unidos marca uma guinada importante nas políticas de nutrição do país. Embora traga avanços ao combater ultraprocessados e valorizar alimentos naturais, ela também reacende debates antigos sobre o consumo excessivo de proteínas animais, gorduras saturadas e a redução de fibras.

Mais do que nunca, fica claro que não existe solução simples para problemas complexos como alimentação e saúde. Diretrizes eficazes precisam considerar ciência, cultura, acesso a alimentos e impacto social — lições que o Brasil já vem incorporando há quase duas décadas.

 

Notícias sobre saúde no seu celular

No Hub Paola Machado, acompanhamos de perto as mudanças globais que afetam a saúde.
E reforçamos: uma alimentação equilibrada, variada e baseada em comida de verdade continua sendo o caminho mais seguro.

Para notícias diárias, treinos gratuitos e dicas de um estilo de vida mais equilibrado, acesse o Hub Paola Machado e baixe o app.

Comentar

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Faça parte das nossas comunidades:

Entre de GRAÇA na Plataforma

Acesse todo o conteúdo exclusivo, programas de treinamento e metodologia completa da Paola Machado sem pagar nada!

Programas Exclusivos

Comunidade
Ativa

Acesse o Kilorias GRÁTIS!

Receba o melhor do bem-estar com a newsletter do Kilorias!