Quando se fala em musculação, muitas pessoas pensam primeiro em hipertrofia, emagrecimento ou estética. Mas as evidências científicas mostram que os benefícios vão muito além da aparência.
Um estudo publicado em junho de 2025 no JACC, periódico oficial do American College of Cardiology, mostrou que praticar pelo menos 2 horas de musculação por semana está associado a uma redução de 20% no risco de doenças cardiovasculares em mulheres.
A pesquisa analisou dados de 117.025 participantes dos estudos Nurses’ Health Study e Nurses’ Health Study II, reforçando a importância do treino de força como estratégia para promover saúde e longevidade.
Como o estudo foi realizado?
As participantes foram acompanhadas durante vários anos, com avaliações do nível de atividade física realizadas a cada quatro anos. Os pesquisadores analisaram a prática de treino de força para membros superiores e inferiores, o tempo gasto em comportamento sedentário — especialmente assistindo televisão — e a realização de exercícios aeróbicos.
Entre os desfechos cardiovasculares avaliados estavam infarto do miocárdio, AVC, cirurgia de revascularização do miocárdio e intervenção coronária percutânea.
Musculação reduz o risco de doenças cardiovasculares
Os resultados mostraram uma associação consistente entre o treino de força e a saúde do coração.
Mulheres que praticavam duas horas ou mais de musculação por semana apresentaram 20% menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação com aquelas que não realizavam esse tipo de exercício.
Além disso, cada hora adicional semanal de treino de força foi associada a uma redução de 5% no risco cardiovascular e de 14% no risco de infarto. A associação permaneceu significativa mesmo após os pesquisadores ajustarem os dados para fatores como IMC, diabetes, hipertensão e colesterol elevado.
Por que a musculação protege o coração?
Segundo os pesquisadores, o treino de força melhora diversos mecanismos ligados à saúde cardiovascular. Entre eles estão a maior sensibilidade à insulina, o controle do colesterol e de outros lipídios sanguíneos, além da melhora da composição corporal. Essas adaptações contribuem para reduzir fatores de risco importantes para doenças cardiovasculares.
Os autores observaram que a proteção foi mais evidente para infarto do que para AVC. Segundo eles, isso pode ocorrer porque o acidente vascular cerebral possui diferentes subtipos, que nem sempre respondem da mesma forma às adaptações provocadas pelo treinamento de força.
É preciso fazer academia?
Não necessariamente. Exercícios utilizando apenas o peso do próprio corpo, como agachamentos, flexões adaptadas, pranchas e subidas em degraus, já são capazes de desenvolver força muscular.
Com a evolução do treinamento, é possível incluir halteres, kettlebells, faixas elásticas ou aparelhos de musculação. O mais importante é manter a regularidade: a recomendação é realizar de duas a três sessões por semana, sempre com atenção à execução correta dos movimentos. Nesse processo, o acompanhamento de um profissional de educação física é fundamental para garantir segurança, individualizar o treinamento e favorecer uma progressão adequada.
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