Canetas emagrecedoras: 6 mortes em investigação por pancreatite

Seis mortes suspeitas associadas a Ozempic, Saxenda e Mounjaro estão sob investigação no Brasil. Saiba mais

Paola pela Saúde

10/02/2026

Caneta emagrecedora riscos: o que as mortes investigadas pela Anvisa nos mostram sobre segurança e saúde

A notícia chegou e trouxe consigo um peso que vai além dos números: seis mortes suspeitas por pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras estão sendo investigadas pela Anvisa. Os produtos mencionados são Ozempic, Saxenda e Mounjaro — nomes que se tornaram quase onipresentes nas redes sociais, consultórios e conversas sobre emagrecimento. Mais de 200 casos de problemas no pâncreas também foram notificados.

São seis vidas. Seis histórias que não conhecemos, mas que merecem ser olhadas com a seriedade que a situação exige. E é exatamente por isso que vale entender o que esses dados realmente dizem — sem pânico, mas também sem banalização.

O que sabemos até agora

Segundo levantamento da Anvisa obtido pelo g1, são seis casos de morte notificados e em análise:

  • 2 mortes suspeitas associadas ao Ozempic
  • 3 mortes suspeitas associadas ao Saxenda
  • 1 morte suspeita associada ao Mounjaro

Um ponto importante: esses casos são considerados suspeitos até a conclusão da investigação — processo que pode levar anos. Isso significa que ainda não há confirmação de que as canetas causaram diretamente as mortes. O que existe, por enquanto, é uma associação temporal que precisa ser investigada a fundo.

E aqui entra um dado que complica ainda mais a análise: a Anvisa reforça que as notificações citam os nomes comerciais dos medicamentos, mas isso não garante que os produtos usados eram originais. Há canetas falsificadas e manipuladas circulando no mercado — muitas vezes vendidas com o nome de marcas conhecidas, mesmo sendo ilegais.

No Brasil, a manipulação dessas substâncias é proibida (com raríssima exceção para tirzepatida em casos muito específicos). Apenas os fabricantes têm autorização para comercializar. Essa informação não é um detalhe técnico sem importância: significa que parte dos casos notificados pode envolver substâncias sem controle de qualidade, sem dosagem correta, sem segurança alguma — mas comercializadas como se fossem medicamentos regulamentados.

Pancreatite: quando o pâncreas adoece

A pancreatite é uma inflamação no pâncreas — órgão pequeno (cerca de 100g, 15cm de comprimento), mas absolutamente essencial para digestão e controle glicêmico. Quando inflamado, o pâncreas aumenta de tamanho e pode causar dor intensa, náuseas, vômitos. Se não tratado adequadamente, o quadro pode evoluir para complicações graves — falência de órgãos, infecções, necrose. E sim, pode levar à morte.

Todos os casos investigados pela Anvisa envolvem pessoas que desenvolveram pancreatite, tiveram complicações e não resistiram.

E aqui entra uma questão delicada, mas necessária: pessoas com diabetes e obesidade já têm risco aumentado para pancreatite, independentemente do uso de qualquer medicamento. Ou seja, o perfil de quem usa essas canetas — justamente para tratar essas condições — já carrega fatores de risco que precisam ser considerados na análise.

Como explica Alexandre Hohl, diretor da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica):

“Pessoas com diabetes e obesidade, que são o público tratado pela caneta, têm mais risco de desenvolver pancreatite. Ainda não temos como saber se esses casos estão sendo causados pelo medicamento ou pelas próprias doenças de base.”

Isso não significa minimizar o risco. Significa entender que a investigação precisa separar o que é efeito do medicamento do que é risco basal da doença — e isso é complexo, exige tempo e análise criteriosa.

O que dizem as empresas?

Tanto a Novo Nordisk (Ozempic, Saxenda, Wegovy) quanto a Eli Lilly (Mounjaro) afirmam que a pancreatite aguda já está descrita como reação adversa nas bulas dos medicamentos da classe GLP-1. Não é informação nova. Está lá desde o início, disponível para médicos e pacientes.

As empresas reforçam que pacientes devem ser orientados sobre sintomas característicos da pancreatite e instruídos a interromper o uso imediatamente em caso de suspeita. Também destacam a necessidade de cautela em quem já teve episódios anteriores de pancreatite.

É informação técnica, sim. Mas também é um lembrete de que medicamentos têm riscos — e que esses riscos precisam ser conversados, explicados, monitorados.

O que dizem as autoridades sanitárias

Autoridades sanitárias e especialistas são unânimes: os dados disponíveis não indicam necessidade de suspender o uso generalizado das canetas. Mas — e esse “mas” carrega um peso enorme — reforçam algo que deveria ser óbvio, mas vem sendo tratado como detalhe: prescrição responsável e acompanhamento médico rigoroso não são opcionais.

O risco de pancreatite já é conhecido. Consta em bula. Faz parte da vigilância pós-comercialização de todos os medicamentos da classe. O que está em jogo agora é investigar se há aumento real desse risco em cenário de uso ampliado ou se estamos diante de um viés de notificação (quanto mais gente usa, mais eventos aparecem — mesmo que a proporção seja estável).

A Anvisa usou esses dados para justificar a exigência de retenção de receita na prescrição desses medicamentos. E deixou claro: outras medidas podem ser tomadas se novos riscos forem identificados.

Por que acompanhamento médico importa (de verdade)

Canetas emagrecedoras viraram fenômeno de consumo. Viraram assunto de grupo de WhatsApp, de influenciador, de “conhecidos que conseguem mais barato”. E nesse caminho, o acompanhamento médico virou algo que muita gente passou a considerar dispensável.

A questão é que acompanhamento médico não é burocracia — é a estrutura que permite uso seguro de medicamentos potentes. É o que possibilita:

  • Avaliação de indicação real para o medicamento
  • Investigação de histórico de saúde (incluindo problemas anteriores no pâncreas, vesícula, histórico familiar)
  • Orientação sobre sinais de alerta que exigem atenção imediata
  • Ajuste de doses conforme resposta individual
  • Monitoramento de exames laboratoriais
  • Identificação de interações com outros medicamentos em uso
  • Suporte caso algo dê errado

Quando há uso sem prescrição adequada, por teleconsulta relâmpago ou por indicação informal, toda essa estrutura de segurança desaparece. E aí, se algo acontecer, a pessoa está sozinha.

As seis mortes em investigação não são apenas números. São pessoas que, em algum momento, estavam usando esses medicamentos — e algo deu gravemente errado.

O que os dados nos mostram

  1. Não existe medicamento sem risco.
    A questão sempre passa por avaliar se o benefício supera o risco para determinado paciente, naquele contexto, com determinado acompanhamento. Essa avaliação exige conhecimento técnico e análise individualizada.
  2. Canetas emagrecedoras são medicamentos potentes, não produtos de beleza.
    Foram desenvolvidas originalmente para diabetes tipo 2, com efeitos metabólicos profundos. A indicação clínica precisa, o monitoramento constante e a transparência sobre histórico de saúde fazem diferença entre uso seguro e exposição a riscos evitáveis.
  3. Falsificação é um problema real e grave.
    Produtos adquiridos por canais informais — grupos de WhatsApp, sites duvidosos, “promoções” — podem não ter controle de qualidade, dosagem correta ou sequer o princípio ativo que deveriam ter. O risco não é apenas farmacológico, mas também de uso de substância completamente desconhecida.
  4. Obesidade e diabetes são fatores de risco para pancreatite.
    Separar o que é efeito do medicamento do que é risco basal da doença é complexo — e exige investigação séria, não conclusões apressadas.
  5. Sintomas de pancreatite exigem atenção médica urgente.
    Dor intensa e persistente na parte superior do abdômen (que pode irradiar para as costas), náusea, vômito, febre, sensação de mal-estar intenso — são sinais que não podem ser ignorados. Em uso de canetas emagrecedoras, a orientação é interromper imediatamente e buscar atendimento médico urgente. Não há espaço para esperar melhora espontânea.

O que esses casos nos dizem

A medicina baseada em evidências não trabalha com certezas absolutas — trabalha com probabilidades, monitoramento e atualização constante de dados. As canetas emagrecedoras são ferramentas potentes, com benefícios documentados para quem tem indicação real e usa com acompanhamento adequado. Mas quando tratadas como atalho, como moda, como produto de consumo descomplicado, os riscos se multiplicam.

Seis mortes em investigação são seis vidas que não voltam. São famílias em luto, histórias interrompidas. E embora ainda não se saiba todas as respostas, já há uma coisa clara: medicamento exige seriedade.

O uso de canetas emagrecedoras sem prescrição adequada, sem acompanhamento, sem transparência sobre histórico de saúde — é exposição a riscos que podem ser evitados. E quando o risco se materializa, as consequências podem ser irreversíveis.

A informação existe. A bula existe. Os alertas existem. A estrutura de segurança existe — mas só funciona quando é usada.

No Hub Paola Machado, há acesso gratuito a treinos estruturados, conteúdos aprofundados sobre saúde e uma comunidade que leva ciência a sério — sem promessas vazias e sem atalhos perigosos. [Inscreva-se gratuitamente aqui].

FAQ

O que é pancreatite e por que preocupa no contexto das canetas emagrecedoras?

Pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode causar dor intensa, vômitos e complicações graves. É uma reação adversa já descrita nas bulas dos medicamentos para emagrecimento e seu risco é maior em pessoas com diabetes ou obesidade.

Comprar canetas emagrecedoras sem receita ou em grupos de WhatsApp é seguro?

Não! Produtos sem procedência, manipulados ou falsificados podem conter substâncias erradas, colocar a sua saúde em risco e não possuem qualquer tipo de controle de qualidade.

Acompanhamento médico é realmente necessário ou apenas uma exigência burocrática?

O acompanhamento é fundamental para garantir que o uso será indicado, ajustado e monitorado de acordo com a sua saúde. Não é burocracia — é segurança!

Existem alternativas saudáveis para emagrecer sem recorrer a medicamentos?

Sim, e é o que priorizamos no Hub Paola Machado: mudanças no estilo de vida, alimentação balanceada, prática de atividade física e apoio emocional são estratégias fundamentais para resultados duradouros e sem riscos desnecessários.

Comentar

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Faça parte das nossas comunidades:

Entre de GRAÇA na Plataforma

Acesse todo o conteúdo exclusivo, programas de treinamento e metodologia completa da Paola Machado sem pagar nada!

Programas Exclusivos

Comunidade
Ativa

Acesse o Kilorias GRÁTIS!

Receba o melhor do bem-estar com a newsletter do Kilorias!