Caminhar 10 minutos por dia pode reduzir o risco de morte precoce

A ciência confirma: movimentos simples, quando feitos todos os dias, podem acrescentar anos de vida — e mais saúde a eles

Paola Doutora

21/01/2026

A ciência confirma: movimentos simples, quando feitos todos os dias, podem acrescentar anos de vida — e mais saúde a eles

Durante muito tempo, falar em longevidade parecia algo distante, quase inalcançável. Dietas complexas, rotinas de treino intensas, protocolos difíceis de manter. Mas a ciência tem mostrado um caminho diferente — mais simples, mais realista e, principalmente, mais sustentável.

Um estudo recente publicado na eClinical Medicine, revista científica ligada ao grupo The Lancet, trouxe uma constatação poderosa: caminhar apenas 10 minutos por dia pode reduzir em até 15% o risco de morte precoce. E mais do que viver por mais tempo, esse hábito simples está diretamente ligado a viver melhor.

Longevidade não é só viver mais, é viver bem

Quando falamos em envelhecimento saudável, dois conceitos precisam caminhar juntos: vida útil e vida saudável. A vida útil diz respeito à expectativa de vida. Já a vida saudável — ou healthspan — representa os anos vividos com autonomia, sem doenças crônicas limitantes.

O estudo reforça algo que a prática clínica já vem mostrando há anos: atividade física, sono e alimentação não funcionam isoladamente. Eles formam um conjunto. Quando pequenas melhorias acontecem em cada um desses pilares, o impacto na saúde é muito maior do que grandes mudanças em apenas um deles.

O poder de pequenos movimentos diários

A pesquisa analisou dados de mais de 59 mil pessoas do banco de dados do UK Biobank, com acompanhamento ao longo dos anos. Parte dos participantes utilizou acelerômetros para medir níveis reais de atividade física e sono, enquanto a alimentação foi avaliada por um índice de qualidade alimentar.

Os resultados chamam atenção justamente pela simplicidade. Caminhar apenas cinco minutos por dia já foi associado a uma redução de 10% no risco de morte precoce antes dos 75 anos. Quando esse tempo sobe para 10 minutos diários, a redução chega a 15%.

Para pessoas que passam a maior parte do dia sentadas e têm níveis muito baixos de atividade física, o impacto é ainda mais relevante. Mesmo uma breve caminhada já representa um estímulo importante para o sistema cardiovascular, para o metabolismo e para a saúde muscular.

Além disso, reduzir o tempo sedentário em cerca de 30 minutos por dia — menos tempo sentado, mais tempo em movimento — pode ajudar a evitar aproximadamente 4,5% das mortes, segundo as estimativas do estudo.

Sono, alimentação e movimento: o efeito combinado

Outro ponto importante da pesquisa foi mostrar como pequenas mudanças, quando somadas, fazem diferença real ao longo dos anos.

Os pesquisadores observaram que ajustes aparentemente modestos, como dormir alguns minutos a mais por noite, incluir um pouco mais de atividade física moderada e melhorar a qualidade da alimentação, estiveram associados a ganhos significativos na expectativa de vida e na vida saudável.

Em combinações mais consistentes, esses hábitos foram associados não apenas a mais anos de vida, mas a mais anos vividos com menos doenças, mais disposição, mais autonomia e melhor qualidade de vida.

Isso reforça uma mensagem fundamental: não é sobre perfeição, é sobre constância. O corpo responde ao que é feito todos os dias — mesmo quando o estímulo parece pequeno.

Por que caminhar funciona tão bem?

Caminhar é uma das formas mais acessíveis de movimento. Não exige equipamentos, não depende de academia e pode ser adaptada à rotina de praticamente qualquer pessoa. Do ponto de vista fisiológico, a caminhada melhora a circulação, regula a glicemia, reduz processos inflamatórios e contribui para a saúde cardiovascular.

Além disso, caminhar regularmente ajuda na manutenção da massa muscular, no equilíbrio e na mobilidade — fatores essenciais para um envelhecimento mais seguro e independente.

E há um benefício adicional, muitas vezes ignorado: o impacto mental. Caminhadas frequentes ajudam na regulação do estresse, na qualidade do sono e na saúde cognitiva, criando um ciclo positivo que se retroalimenta.

Começar pequeno é o que sustenta resultados grandes

Um dos principais obstáculos quando falamos em mudança de hábitos é a sensação de que tudo precisa mudar de uma vez. Esse estudo mostra exatamente o contrário. Pequenas ações, quando mantidas ao longo do tempo, geram efeitos profundos.

Trocar alguns minutos sentado por uma caminhada leve, ajustar o horário de dormir, incluir mais alimentos in natura no dia a dia. Nada disso precisa ser radical. Precisa ser possível.

Investir nesses hábitos desde a meia-idade — ou até antes — não significa apenas viver mais anos, mas garantir que esses anos sejam ativos, funcionais e com mais qualidade.

O que fica como mensagem principal

A ciência está cada vez mais clara: longevidade é construída no cotidiano. Não depende de soluções milagrosas, mas de escolhas repetidas diariamente. Caminhar alguns minutos, dormir um pouco melhor e se alimentar com mais atenção são estratégias simples, porém poderosas.

Mais do que acrescentar anos à vida, esses hábitos ajudam a acrescentar vida aos anos.

Como pequenas mudanças podem transformar sua saúde no longo prazo?

Continue explorando os conteúdos do Hub Paola Machado. Informação de qualidade é o primeiro passo para decisões mais conscientes — e para um envelhecimento mais saudável.

Perguntas frequentes

Preciso caminhar todos os dias para sentir os benefícios?

Não, pequenas pausas regulares já ajudam. Porém, a regularidade potencializa resultados. Escolha uma frequência que se adapte ao seu ritmo e respeite seu corpo.

Qual o melhor horário para caminhar?

O melhor horário é aquele que se encaixa na sua rotina e traz bem-estar. Manhãs frescas ou finais de tarde costumam ser momentos agradáveis, mas o importante é se movimentar quando for mais confortável para você.

Caminhar ajuda também na saúde mental?

Sim, a caminhada diária reduz o estresse, melhora o humor e estimula funções cognitivas. É um tempo de autocuidado também para a mente.

Como tornar a caminhada um hábito, mesmo com dias corridos?

Comece integrando o movimento a outros compromissos: vá a pé para compromissos próximos, leve o cachorro para passear, use parte do intervalo do trabalho para andar. O importante é começar pequeno e persistir.

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Koemel, Nicholas A. et al. Minimum combined sleep, physical activity, and nutrition variations associated with lifeSPAN and healthSPAN improvements: a population cohort study. eClinicalMedicine, Volume 0, Issue 0, 103741

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